Enrique Breccia

Enrique Breccia nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1945. Iniciou sua carreira como quadrinista em 1960. Colaborou com seu pai, o quadrinista Alberto Breccia, e o roteirista Héctor Oesterheld, em Che, biografia em quadrinhos do célebre revolucionário argentino. Inicia sua carreira solo nas páginas da revista italiana Linus, na qual publica a série Guerra do Deserto. Entre 1976 e 1983, publica na revista Skorpio a série Alvar Mayor, seu personagem mais famoso, com roteiro de Carlos Trillo. Dessa parceria surgem várias outras obras, como El Peregrino de las Estrellas, Los Viajes de Marco Mono e El Reino Azul. Entre 1983 e 1987, publica na revista Fierro as série El Sueñero e El Cazador del Tiempo. Também assina os roteiros de Metrocarguero, desenhado por Domingo Mandrafina. Em 1992, participa da coleção Quinto Centenario, editada pela Planeta DeAgostini, ilustrando De Mar a Mar: a Descoberta do Pacífico. Entre 2001 e 2006, trabalha para o mercado norte-americano, desenhado títulos como X-Force e Wolverine para a Marvel Comics, e Batman e Monstro do Pântano para a DC Comics. Para o extinto selo Vertigo, da DC, ilustra a biografia em quadrinhos Lovecraft, escrita por Hans Rodionoff e Keith Giffen. Atualmente, vive na cidade de Spoleto, na Itália.

Héctor Oesterheld

Héctor Germán Oesterheld nasceu em Buenos Aires em 1919. Geólogo de formação, enveredou pela literatura desde a juventude. Escreveu inúmeros relatos breves de ficção científica e romances, e publicou em revistas como Misterix, Frontera e Hora Cero. Nesses títulos, surgiram obras importantes, como Sargento Kirk, Bull Rocket, Ernie Pike, Sherlock Time, Mort Cinder e a saga de ficção científica O Eternauta, feita em parceria com Francisco Solano López, que se tornaria a obra mais célebre da dupla e um clássico das HQs mundiais. Os primeiros trabalhos de Oesterheld, na década de 1950 e no início dos anos 1960, trazem críticas sutis ao capitalismo, ao colonialismo e ao imperialismo. À medida que a década avança, seu compromisso político se intensifica e sua ideologia se torna mais definida: em parceria com Alberto Breccia, produziu as biografias em quadrinhos de Che Guevara e Evita Perón, em 1968, além de uma segunda versão de O Eternauta, com mudanças no roteiro que deram um forte tom político à obra. Em 1977, foi sequestrado pelas Forças Armadas da ditadura, junto com suas quatro filhas (duas delas grávidas na época). Estima-se que o autor e sua família foram assassinados pelos militares em 1978, e seus corpos jamais foram encontrados. O legado de Oesterheld é amplo, e sua influência se estende a artistas de novas gerações e a diversos meios. É considerado um dos pais do quadrinho argentino moderno.

Michel Rabagliati

Michel Rabagliati nasceu em 1961 em Montreal, no Canadá. Como muitas crianças na América do Norte, cresceu lendo revistas em quadrinhos, mas em vez de Homem-Aranha ou Superman, ele estava imerso nos álbuns franco-belgas: Tintim, Spirou, Gaston, Asterix, entre outros. Rabagliati era assinante de todas as revistas em quadrinhos europeias e copiava seus artistas favoritos, escrevendo e desenhando suas próprias histórias. Em meados da década de 1970, seus interesses se voltaram para o design gráfico, e após estudar isso e tipografia, se tornou designer gráfico e ilustrador comercial em 1982. Suas ilustrações foram publicadas em diversos periódicos, como o The Wall Street Journal, Chicago Tribune, National Post, Maclean’s e Canadian Business. Em 1998, decidiu abandonar tudo e ir atrás de seu sonho de infância. Hoje, após mais de duas décadas de atividade, Michel Rabagliati se tornou uma figura-chave na cena canadense de quadrinhos, tendo sido o primeiro norte-americano a receber o prestigioso Prêmio do Público do Festival de Angoulême, pelo seu trabalho em A Canção de Roland, em 2010. Em janeiro de 2021, Rabagliati voltou a ser recompensado em Angoulême, desta vez com o Prêmio de Melhor Série pelo seu trabalho em Paul em Casa.

Alberto Breccia

Alberto Breccia nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 1919, mas aos três anos se mudou com sua família para a Argentina. Iniciou sua carreira como quadrinista aos 19 anos, em uma revista de bairro chamada Acento. Seu trabalho começa a ser reconhecido a partir de Vito Nervio, publicado na revista Patoruzito, entre 1947 e 1959. No final da década de 1950, por intermédio de Hugo Pratt, conheceu o roteirista Héctor Germán Oesterheld, com que realizaria algumas de suas obras mais significativas, como Sherlock Time, Mort Cinder e uma nova versão de O Eternauta. Em 1973, com textos do poeta Norberto Buscaglia, realiza uma adaptação de Os Mitos de Cthulhu, de H. P. Lovecraft. Com o roteirista Carlos Trillo, colabora na realização de Um Tal Daneri, Viajante de Cinza, Buscavidas e diversas histórias curtas. Em 1983, começa a produção de Perramus, em parceria com Juan Sasturain. Além das adaptações de Edgar Allan Poe, em seus últimos anos adapta contos de escritores como Borges, García Márquez, entre outros. Informe Sobre Cegos, baseado no livro Sobre Heróis e Tumbas, de Ernesto Sabato, seria uma de suas últimas obras. Breccia é considerado hoje um dos artistas mais im­portantes da história dos quadrinhos, tendo recebido importantes prêmios ao longo de seus mais de 50 anos dedicados ao desenho, como o Yellow Kid no Salão de Lucca (Itália, 1977); o Grande Prêmio do Salão de Quadrinhos de Barcelona (Espanha, 1984); e o prêmio da Anistia Internacional, por Perramus (Bélgica, 1988). Faleceu em 1993, em Buenos Aires, aos 73 anos de idade.

Carlos Trillo

Carlos Trillo nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1943. Iniciou sua carreira em 1963, trabalhando como colunista esportivo, publicitário e redator de revistas destinadas ao público feminino. Ao longo de seus 50 anos dedicados aos quadrinhos, colaborou com grandes artistas como Domingo Mandrafina (A Grande Farsa, Spaghetti Brothers), Alberto Breccia (Buscavidas, Viajante de Cinza), Enrique Breccia (Alvar Mayor), Horacio Altuna (O Último Recreio, Charlie Moon), Jordi Bernet (Custer, Light & Bold) e Eduardo Risso (Borderline, Chicanos). Ganhou importantes prêmios, como o Yellow Kid no Salão de Lucca (Itália, 1978 e 1996); o prêmio de Melhor Roteirista no Salão de Quadrinhos de Barcelona (Espanha, 1984); e o prêmio de Melhor Roteiro por A Grande Farsa, no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême (França, 1999). Trillo é considerado o mais importante autor dos quadrinhos argentinos, depois de Héctor Oesterheld. Faleceu em 2011, em Londres, aos 68 anos de idade

Jerome Charyn

O prolífico e premiado trabalho de Jerome Charyn traz uma escrita única e um universo fabulosamente pessoal. Inspiradas pela cidade de Nova York, onde o autor nasceu em 1937, suas obras retratam uma metrópole repleta de ruas misteriosas, cantos secretos e bairros sombrios. Natural do Bronx, Jerome Charyn nos conduz por lugares inusitados, de becos estreitos, entre o desequilíbrio e o caos, até regiões policiais. Mestre indiscutível do suspense (Blue Eyes, Marilyn the Wild, Citizen Sidel), ele parte em busca dos sonhos da América e de todas as pessoas que lá vivem. Traficantes, policiais, imigrantes, políticos corruptos, almas solitárias… Ele fala dos condenados e dos excluídos da cidade que nunca dorme. Boca do Diabo, A Mulher do Mágico e Little Tulip, produzidas em colaboração com François Boucq, não são exceções. Escritor humanista e talentoso, Jerome Charyn também é autor de diversos romances (Darlin’ Bill, Metropolis), ensaios e contos. Considerado por alguns como um dos escritores mais importantes da literatura americana contemporânea, ele não para de nos impressionar.

François Boucq

François Boucq iniciou sua carreira como ilustrador editorial, fazendo caricaturas para revistas renomadas como Le Point, L’Expansion ou Privé, mas foi nos quadrinhos que ele realmente explodiu. De sua experiência prévia, traz um gosto acentuado por rostos expressivos e pelo desenho detalhado, aprimorado por um senso incomum de enquadramento e encenação. Torna-se conhecido por suas histórias de humor, nas quais o absurdo frequentemente concorre com a paródia. Cria o personagem Jérôme Moucherot, um agente de seguros diferente dos demais, que percorre a selva da existência em trajes de leopardo. Dotado de uma capacidade incomum de trabalho (já aconteceu de desenhar até duas pranchas por dia, sem jamais abrir mão da qualidade que construiu sua reputação), François Boucq renuncia de bom grado ao humor para se dedicar a narrativas mais realistas. Adapta assim o romancista americano Jerome Charyn (Boca do Diabo, A Mulher do Mágico, Little Tulip), cria Cara de Lua na revista (À Suivre) com Alejandro Jodorowsky – com quem em seguida desbravaria o Velho Oeste nas páginas de Bouncer – e explora o serviço secreto do Vaticano com Yves Sente (Le Janitor). Herdeiro de Franquin e Moebius, Boucq abriu portas no desenho realista. Ao longo dos anos, sua síntese de caricatura e rigor, legibilidade e precisão do desenho, originou um estilo único, que lhe permite dar vida a qualquer gênero de narrativa com o mesmo brio.

Lourenço Mutarelli

Lourenço Mutarelli nasceu em 1964, em São Paulo. Publicou diversos álbuns de quadrinhos, entre eles Transubstanciação (1991), Desgraçados (1993), Eu Te Amo Lucimar (1994), A Confluência da Forquilha (1997) – reunidos em Capa Preta (2019) – e Diomedes: A Trilogia do Acidente (volume único publicado em 2012). Escreveu peças de teatro – reunidas em O Teatro de Sombras (2007) – e os livros de ficção O Cheiro do Ralo (2002, adaptado para o cinema em 2007), Jesus Kid (2004), O Natimorto (2004, adaptado para o cinema em 2008), A Arte de Produzir Efeito Sem Causa (2008), Miguel e os Demônios (2009), Nada me Faltará (2010), O Grifo de Abdera (2015), O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV (2018) e O Livro dos Mortos (2022).

Juan Giménez

Juan Giménez nasceu em Mendoza, Argentina, em 1943. Iniciou sua carreira como quadrinista aos 16 anos, publicando nas revistas Frontera, Misterix e Hora Cero. Trabalhou para diversas agências de publicidade, fazendo storyboards para comerciais. No final dos anos 1970, deixa a Argentina e se instala na Espanha, onde passa a colaborar com diversas revistas europeias, como a francesa Métal Hurlant, a italiana L’Eternauta, e a espanhola 1984. Nesse período, publica Escória (com roteiro de Carlos Trillo), Cidade (com roteiro de Ricardo Barreiro), Cuestión de Tiempo, El Cuarto Poder, Leo Roa e Juego Eterno, trabalhos que deixariam clara sua inclinação pela fantasia e pela ficção científica. Em 1992, conheceu Alejandro Jodorowsky, com quem criaria A Casta dos Metabarões, uma saga de ficção científica de proporções épicas, originalmente publicada pela Les Humanoïdes Associés, e considerada uma das maiores histórias em quadrinhos do gênero. Recebeu inúmeros prêmios internacionais ao longo de sua carreira, destacando-se o prêmio de Melhor Desenhista no Salão de Quadrinhos de Barcelona (Espanha, 1984) e o Yellow Kid no Salão de Lucca (Itália, 1990). Faleceu em abril de 2020, em Mendoza, aos 76 anos de idade, vítima da covid-19.

Marc-Antoine Mathieu

Marc-Antoine Mathieu nasceu em 1959, em Antony, uma cidade ao sul de Paris, e estudou na Escola de Belas Artes de Angers. Trata-se de um quadrinista que, a cada novo livro, expande os limites da forma, através de uma combinação única de peso intelectual e domínio da mídia. Também atua como cenógrafo no coletivo Lucie Lom, que fundou junto com Philippe Leduc, em 1984. Projeta painéis, cenários e instalações para museus, teatros, parques, ruas ou festivais de todos os tipos. É especialista em design de exposições, muitas delas ambientadas no mundo dos quadrinhos. Entre seus principais trabalhos estão a retrospectiva Moebius/Giraud (2000) e a exposição Will Eisner, génie de la bande dessinée américaine (2017). Publicou seus primeiros quadrinhos nas revistas Marcel, Le Banni e Morsures. Em 1989, começou a trabalhar no que se tornaria sua obra principal: Julius Corentin Acquefacques, Prisioneiro dos Sonhos. A série conta até o momento com sete volumes e é caracterizada por seu estilo kafkiano (Acquefacques, o sobrenome do protagonista, é um palíndromo sonoro de Kafka). O primeiro volume da série, A Origem, foi publicada em 1990 e recebeu diversos prêmios, sendo o mais importante o Prêmio Revelação do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 1991. Esse álbum foi seguido por outros seis volumes: A Qu… (1991), O Processo (1993, vencedor do prêmio de Melhor Roteiro em Angoulême em 1994), O Começo do Fim (1995), A 2,333ª Dimensão (2004), O Descompasso (2013) e O Hipersonho (2020).